Quando um pet não para de se coçar, uma das primeiras perguntas que o tutor ouve é: "será que é a ração?". Às vezes, sim. A alergia alimentar atinge cães e gatos de qualquer idade e é uma causa importante de doença de pele — mas seu diagnóstico é cheio de mitos. Vamos esclarecer.
O que causa a alergia alimentar?
A reação alérgica acontece contra proteínas presentes na dieta. Os alérgenos mais comuns na rotina clínica são:
- Carne bovina
- Frango
- Laticínios
- Ovo
- Trigo e soja (menos frequentes do que se imagina)
Um detalhe importante: o pet desenvolve alergia a alimentos que já consome há meses ou anos — não é preciso "trocar de ração" para o problema aparecer. O sistema imunológico simplesmente passa a reagir contra aquela proteína familiar.
Sintomas: pele e intestino
Diferente da dermatite atópica, que costuma ter fases melhores e piores ao longo do ano, a alergia alimentar tende a causar coceira constante, sem sazonalidade. Os sinais mais comuns são:
- Coceira em face, orelhas, patas, axilas e região perianal
- Otites de repetição, às vezes como único sintoma
- Feridas e infecções de pele recorrentes
- Em gatos: feridas na cabeça e pescoço, lambedura excessiva da barriga
- Sinais digestivos: fezes amolecidas, aumento do número de evacuações, gases e vômitos ocasionais
Cerca de um terço dos pets com alergia alimentar também tem dermatite atópica — as duas doenças podem coexistir no mesmo paciente.
Como NÃO se diagnostica alergia alimentar
Aqui mora a maior confusão. Exames de sangue, de pelo ou de saliva não são confiáveis para diagnosticar alergia alimentar em cães e gatos — a ciência já demonstrou repetidamente que esses testes apresentam resultados inconsistentes. Desconfie de "testes de intolerância alimentar" vendidos como atalho.
Dieta de eliminação: o padrão-ouro
O único método confiável é a dieta de eliminação, conduzida com acompanhamento veterinário:
- Fase de eliminação (6 a 8 semanas): o pet passa a comer exclusivamente uma dieta com proteína que nunca consumiu (proteína nova) ou uma ração hidrolisada, na qual as proteínas são quebradas em fragmentos que o sistema imune não reconhece
- Rigor total: nada de petiscos, restos de comida, palitinhos ou vermífugos palatáveis fora do plano — uma única "escapada" pode invalidar semanas de teste
- Fase de provocação: se a coceira melhorou, reintroduzimos a dieta antiga; se os sintomas voltam em até 14 dias, o diagnóstico está confirmado
- Identificação do culpado: ingredientes são reintroduzidos um a um para descobrir exatamente qual proteína causa a reação
E o tratamento?
Uma vez identificado o alérgeno, o tratamento é simples e não depende de remédios: evitar a proteína causadora para o resto da vida. O desafio está na disciplina — ler rótulos, escolher petiscos compatíveis e alinhar toda a família (incluindo as visitas!).
Durante a investigação, infecções secundárias de pele e ouvido precisam ser tratadas em paralelo. Na Dermavet, realizamos citologia e demais exames no próprio consultório, o que agiliza o controle dessas complicações.
Suspeita de alergia alimentar no seu pet? Não faça testes por conta própria — uma dieta mal conduzida atrasa o diagnóstico. Agende uma avaliação com nossas dermatologistas em Belo Horizonte e monte um plano seguro e eficaz. 🐱🐶
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